domingo, 26 de julho de 2009

Anda


Anda
Dá-me a tua mão

Vamos vaguear
no chão com as nuvens
No céu com as pedras
Anda
Mesmo como estás
Nua
Onde pisas nascem rosas vermelhas


Anda
Vem mesmo assim
Ninguém vai olhar

Não pintes o rosto
Vem só tu
Natural

Anda
Mesmo com fantasmas
nos ventos cortantes
Lá bem alto
Por cima das estrelas

Anda
Vamos os dois
Planar sobre o mar
Como Tristão e Isolda

Isolda imaginária
Viva
Que eu roubei à morte anunciada

Vem
Viva e bem viva
Embora quase morta
No fingimento da partida

Agora vamos
Mãos dadas
No céu
Nas nuvens
Nas árvores
No vento

Em busca da vida
Da felicidade
Do amor

Sem carácter de urgência

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aqui


Não há um nome para a tua ausência
Há um muro que meus olhos derrubam

Não há uma palavra para o teu silêncio
Há uma mordaça que meus lábios libertam

Não há um gesto
Para a tua indiferença
Há um sorriso
Que minha face desnuda

Existe sim um sonho
Para a tua liberdade
Não há grilhetas
Que se oponham à esperança

Existe sim a vida
O céu para voar
Não há prisões
Onde calem a poesia

terça-feira, 7 de julho de 2009

Se....


Se um dia
Eu inventasse
O amor com carácter
De urgência
Criaria
Novo Sol
Novas estrelas
Mais alegria nas manhãs
Outro cheiro
De terra molhada
Novos aromas
De ervas acordadas
Outro tacto
De pele arrepiada

Inventaria
Mil mãos dadas
A gritar o AMOR
Com carácter
De urgência

Criaria
Olhos nos lagos
Bocas às nuvens
Corações no Céu

Gritaria
BEM ALTO
Vem
Dá-me o teu abraço
O teu corpo renascido
Como estás
Nua como és
E fica comigo
Com urgência

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Vem


Vem,
Promete-me
Que o meu próximo espermatozóide
Vai demolir
A crosta
do teu óvulo maduro

Vem
à luz das velas
Bordar poemas eróticos
Para consumo íntimo

Vem
Servir esta pobreza
envergonhada
deste menos bafejado pela sorte

Vem
E encontra
Estas correntes
com que me atrelo
Ao teu nevoeiro
Subterrâneo

Encontrarás
Aqui
O meu erro
A minha aposta
O meu medo

Mas
Verás também
a exalação
Ao meu suspiro
Activo em ti

Vem
E encontra-me TODO

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Amor que não tenho



O amor que não tenho
É o lençol com que me cubro

A distância que vai
entre o carinho
e a ausência
É a agua
que não bebo
Na memória da infância

O AMOR QUE NÃO TENHO
É a lenha
O jardim
É a casa
O teu cheiro
Inventados
todos dentro de mim


Água
Memória
O teu retrato

Os olhos
Esses sim
Ainda me dão alguma esperança
Do sonho
Do amanhã
Do depois

Mas agora NÃO

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cansa




Cansa tanto esperar
A carne viva
Partilhada
Não comprada
Não vendida

Cansa muito
Pisar o vazio
O éter
O asfalto
As pedras que não calcas

Cansa tanto
Esperar a tua pele
O teu olhar
O teu riso
O teu enigma

Ah quanto cansa
Ver o teu lugar
Na mesa vazio
O prato limpo
À espera
Ah quanto cansa
Acordar do meu sonho
Onírico
Vigilante
Mas SONHO

sábado, 6 de junho de 2009

A VIDA


É do ponto mais alto
Do meu EU
Que grito o meu choro
O meu pranto

Canto e grito
Como quem se desnuda
Pondo a nú
A chama que me cresce
Que me morre
Que me devora

Acesa
Bem acesa
Na minha voz

Lâmina afilada
Amarga
Perfurante
Ao mesmo tempo sedutora
Penetra mño meu EU
Mas jamais me dói

Porque apesar de tudo
ainda me resta a esperança
O Sonho

A vida