quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Nenúfares da madrugada


De cavernas e crateras
Nascem
as minhas flautas de choro

Com espigas e espadas
Crio cortinas de vento
Nas minhas mãos sem idade
É na retina do meu silêncio
Que calo a voz
O pão
A boca adormecida
É no meu jardim de mágoas
Que planto
NENÚFARES DE MADRUGADA

É no calor do meu vento suão
Que o meu rio fica deserto

Cravo na minha boca
Uma concha de neve pura
Os meus olhos
ferem o ar
Com soluços de madrugadas adiadas

E canto
E oiço
A voz do poeta que me sussurra:
Olha bem a aragem
A seiva
Os cabelos livres ao vento
Repara quão zeloso
é aquele búzio
de pedras perfumadas!!

E páro a refletir
jà não me chega
a bala das palavras

É preciso mais
E quero ter

Uma pétala colorida
Um riso aberto numa praia deserta
Um murmúrio de esperança
A palavra AMOR sibilada

Vitor Correia

2 comentários:

Margarida Piloto Garcia disse...

Este é sem dúvida um dos mais belos poemas que escreveste e que comprovam o teu crescimento literário.

Susana Garcia disse...

como tinha comentado adorei também este poema.Todas as imagens que descreves aqui por palavras e a esperança ,tudo.
gostei muito.
beijinhos