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Lágrima
Uma lágrima gelada
Percorre
meu rosto quente
Água
Sal
Carne
Mistura dolorosa
Brotou
Saíu
Para-me nos lábios
Um esgar
um leve toque de língua
Eis que me entra
Boca dentro
Dissolvo-a
Queixa-se
"Porque me soltaste?
Que mal fiz?
Dormia
Tão bem
no teu saco
Lacrimal
Respondo
Com um tríssilabo
" Não fui eu"
Questionou-me
Então? e Porquê?
Argumento
"é o estado de alma"
Já não falo
Já não sinto
Já não ouço
Apenas
Penso
Lembro
recordo
E que recordo?
São vagas
As lembranças
Havia
Um pão
Havia
Um copo
Solidariedade
Não faltava
Uma chama
furtiva
Duma vela
quase apagada
Espreitava
O AMOR
Envergonhada
Ora ardia
Ora apagava
Crepitava
Na lareira
Um resto
De madeira
Curcumida
Uma pinha
Chegou a hora
Partiu
Voltou a lágrima
Bom dia ó mulher
Digo eu agora
És uma rosa branca
de espinhos amarrada
Rainha de aromas
e de beijos
Carregaste
no teu ventre
Uma linda madrugada
Um mar de chamas
e de abraços
És a amiga
A companheira
A razão
da minha força
A minha
dádiva de sangue
Mulher
Com lençóis de linho
Bordados na memória
viva do teu retrato
Constróis
A casa
O jardim
o livro ainda
adiado
Não te tenho
no meu lençol
Mas guardo em mim
A memória
do teu sorriso
Gravado
na sombra da minha alma
De que nevoeiro
Apareceste?
De que fonte
foste concebida
para que os sons
do meu sangue
fiquem calados?
De que forno?
Com que forja
fundiste o metal
Com que tão bem
pintas as cores
do teu arco-íris?
És mulher
És mãe
Dás a vida
A alegria
Aqui te deixo
O meu poema
A minha prosa
A minha gratidão
Por seres o que
e quem és
Amiga
Mãe
AMOR